Quanto rendem R$ 10 mil na poupança, no CDB e no Tesouro Direto?

Compare quanto R$ 10 mil podem render na poupança, no CDB e no Tesouro Selic e descubra as diferenças entre essas alternativas.

10/28/20265 min read

Onde investir R$ 10 mil?

Guardar dinheiro é importante, mas escolher onde deixá-lo também faz diferença.

Para quem está começando a investir, a poupança costuma ser uma das primeiras opções consideradas. Entretanto, existem outras alternativas de renda fixa que podem oferecer condições diferentes de rentabilidade, liquidez e segurança.

Entre elas estão os CDBs e os títulos públicos do Tesouro Direto.

Mas afinal, quanto R$ 10 mil podem render em cada uma dessas opções?

Para entender melhor, vamos comparar três alternativas bastante conhecidas: a poupança, um CDB que rende 100% do CDI e o Tesouro Selic.

A simulação considera um investimento inicial de R$ 10 mil mantido durante 12 meses, utilizando como referência as taxas de juros de outubro de 2026.

Como funciona a poupança?

A poupança é uma das formas mais tradicionais de guardar dinheiro no Brasil. Sua principal característica é a simplicidade: o dinheiro pode ser depositado e retirado sem a necessidade de escolher títulos ou acompanhar indicadores do mercado financeiro.

Sua rentabilidade, entretanto, segue uma regra definida por lei.

Quando a meta da taxa Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR).

Isso significa que, mesmo com os juros brasileiros em patamares elevados, a remuneração adicional da poupança continua limitada a esses 0,5% mensais, acrescidos da TR.

Outro detalhe importante é que a poupança possui uma data de aniversário. O rendimento é creditado mensalmente, e retirar o dinheiro antes dessa data pode fazer o investidor perder a remuneração daquele período sobre o valor retirado.

Para pessoas físicas, os rendimentos da poupança são isentos de Imposto de Renda.

Como funciona um CDB?

O CDB, ou Certificado de Depósito Bancário, é um investimento de renda fixa emitido por bancos e outras instituições financeiras.

Na prática, ao investir em um CDB, você está emprestando dinheiro à instituição emissora, que se compromete a devolver o valor aplicado acrescido dos juros previstos.

Existem diferentes modalidades de CDB, mas uma das mais conhecidas é aquela que acompanha o CDI.

O CDI é um indicador de referência muito utilizado no mercado financeiro e costuma acompanhar de perto a taxa Selic.

Por isso, é comum encontrar investimentos que oferecem rentabilidade de 100%, 105%, 110% ou até 115% do CDI.

Um CDB que paga 100% do CDI acompanha integralmente a variação desse indicador. Já um que oferece 110% do CDI busca entregar uma remuneração equivalente a 1,1 vez o CDI acumulado no período.

Mas existe um detalhe que merece atenção: nem todo CDB permite retirar o dinheiro a qualquer momento.

Alguns oferecem liquidez diária, enquanto outros possuem vencimentos específicos e exigem que o investidor mantenha o dinheiro aplicado até determinada data.

Essa diferença pode ser tão importante quanto a própria rentabilidade.

Minha experiência com CDBs de 110% e 115% do CDI

Já tive a oportunidade de investir em CDBs que ofereciam rentabilidades de 110% e até 115% do CDI.

À primeira vista, essas porcentagens chamam bastante a atenção, principalmente quando comparadas aos investimentos mais tradicionais.

Entretanto, é importante observar as condições oferecidas.

Algumas dessas oportunidades possuem prazo de vencimento determinado e não permitem o resgate antecipado. Ou seja, mesmo que o investidor precise do dinheiro antes da data prevista, pode não conseguir retirá-lo.

Por isso, antes de investir em um CDB com uma taxa aparentemente mais atrativa, vale conferir três informações:

  • Rentabilidade: quanto o investimento oferece em relação ao CDI.

  • Vencimento: em qual data o dinheiro poderá ser resgatado.

  • Liquidez: se existe a possibilidade de retirar o valor antes do vencimento.

Um rendimento maior pode parecer interessante, mas não necessariamente será a melhor escolha para quem precisa ter acesso ao dinheiro rapidamente.

Como funciona o Tesouro Selic?

O Tesouro Selic é um título público disponibilizado pelo programa Tesouro Direto.

Ao investir nele, você está emprestando dinheiro ao Governo Federal, que remunera o investimento de acordo com a taxa Selic.

É uma alternativa bastante conhecida entre quem procura investimentos de renda fixa e deseja manter uma reserva com possibilidade de resgate.

Uma de suas principais características é a liquidez diária. Em condições normais de funcionamento do Tesouro Direto, o investidor pode solicitar o resgate antes do vencimento, respeitando os horários e as regras de liquidação.

Isso não significa que o dinheiro estará disponível instantaneamente em qualquer situação, mas oferece uma flexibilidade diferente da encontrada em CDBs sem liquidez antecipada.

O Tesouro Selic também está sujeito à tributação do Imposto de Renda sobre os rendimentos e pode ter pequenas oscilações no preço de venda antecipada.

Quanto rendem R$ 10 mil em cada investimento?

Agora vamos à comparação.

Considerando as taxas de referência de outubro de 2026:

  • Selic: 13,75% ao ano.

  • CDI: aproximadamente 13,65% ao ano.

Para facilitar a comparação, vamos considerar R$ 10 mil aplicados durante 12 meses, sem novos depósitos ou retiradas.

Poupança

Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais TR.

Considerando apenas os 0,5% mensais, sem incluir a TR, o resultado aproximado seria:

  • Valor inicial: R$ 10.000

  • Rendimento em 12 meses: R$ 616,78

  • Valor final: R$ 10.616,78

O resultado efetivo será um pouco diferente, pois a TR também participa da remuneração.

CDB de 100% do CDI

Considerando um CDI constante de 13,65% ao ano durante o período:

  • Valor inicial: R$ 10.000

  • Rendimento bruto: R$ 1.365,00

  • Imposto de Renda estimado: R$ 238,88

  • Rendimento líquido: R$ 1.126,12

  • Valor final: R$ 11.126,12

Tesouro Selic

Utilizando a Selic de 13,75% ao ano como referência simplificada para a simulação:

  • Valor inicial: R$ 10.000

  • Rendimento bruto estimado: R$ 1.375,00

  • Imposto de Renda estimado: R$ 240,63

  • Rendimento líquido estimado: R$ 1.134,37

  • Valor final estimado: R$ 11.134,37

Os valores do CDB e do Tesouro Selic são aproximações ilustrativas. Na prática, o CDI e a Selic variam ao longo do tempo, e o resultado depende das taxas efetivamente acumuladas, das condições do título e dos custos aplicáveis.

Qual é a diferença entre os três investimentos?

Além da rentabilidade, existem outras características que merecem atenção na hora de comparar essas alternativas.

Poupança

  • Rentabilidade: 0,5% ao mês + TR.

  • Imposto de Renda: isento.

  • Liquidez: resgate imediato, mas perde o rendimento do período se retirar antes do aniversário.

  • Garantia: FGC.

CDB de 100% do CDI

  • Rentabilidade: 100% do CDI.

  • Imposto de Renda: 17,5% sobre o rendimento em 12 meses.

  • Liquidez: depende do contrato.

  • Garantia: FGC.

Tesouro Selic

  • Rentabilidade: acompanha a Selic.

  • Imposto de Renda: 17,5% sobre o rendimento em 12 meses.

  • Liquidez: diária, conforme as regras do Tesouro Direto.

  • Garantia: Tesouro Nacional.

O CDB e a poupança podem contar com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), respeitando os limites e as condições estabelecidas pelo fundo.

Já o Tesouro Selic é um título público federal e possui uma garantia diferente: o próprio Tesouro Nacional.

Também é importante lembrar que a liquidez de um CDB depende das condições contratadas. Um CDB com vencimento em dois anos, por exemplo, pode não permitir o resgate antecipado.

Afinal, onde vale mais a pena investir R$ 10 mil?

A comparação mostra que a poupança pode apresentar um rendimento inferior ao de outras alternativas de renda fixa quando os juros estão elevados.

O CDB pode oferecer condições interessantes, principalmente quando apresenta uma remuneração acima de 100% do CDI. Entretanto, é necessário observar o prazo de vencimento e as condições de resgate.

O Tesouro Selic, por sua vez, é uma alternativa para quem busca acompanhar os juros básicos da economia e ter possibilidade de resgate antes do vencimento.

Não existe uma resposta única para todos os investidores. A escolha depende de fatores como prazo, necessidade de liquidez, rentabilidade e objetivos financeiros.

Às vezes, receber uma taxa maior não compensa deixar o dinheiro preso durante um período em que você pode precisar dele.

Por isso, antes de escolher onde investir, vale olhar além da porcentagem anunciada e entender exatamente como cada aplicação funciona.

Este conteúdo tem finalidade educativa e não representa recomendação de investimento.