Selic em 13,75%: como ela afeta seus investimentos?

Entenda o que é a taxa Selic, como ela influencia a renda fixa, as ações e os fundos imobiliários.

10/30/20264 min read

A taxa Selic é um dos indicadores mais importantes da economia brasileira. Suas variações influenciam o rendimento de aplicações financeiras, o custo dos empréstimos, o consumo e até o comportamento do mercado de ações.

Em setembro de 2026, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros para 13,75% ao ano. Mas o que esse número representa na prática? E como ele pode afetar os investimentos de quem busca construir patrimônio?

Neste artigo, vamos entender o que é a Selic e como seus movimentos influenciam diferentes modalidades de investimento.

O que é a taxa Selic?

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), ligado ao Banco Central, e serve como uma das principais referências para as demais taxas de juros do país.

Seu principal objetivo é ajudar no controle da inflação. Quando os preços estão subindo de maneira persistente, o Banco Central pode elevar a Selic para encarecer o crédito, reduzir o consumo e, consequentemente, diminuir a pressão sobre os preços.

Por outro lado, quando a inflação está mais controlada e existe espaço para estimular a atividade econômica, o Banco Central pode reduzir os juros.

Essas decisões não afetam apenas a economia como um todo. Elas também influenciam diretamente o mercado financeiro.

Como a Selic afeta a renda fixa?

A renda fixa costuma ser uma das primeiras modalidades de investimento lembradas quando os juros estão elevados.

Isso acontece porque diversos produtos dessa categoria utilizam a Selic ou o CDI como referência para sua rentabilidade.

Tesouro Selic

O Tesouro Selic é um título público cuja rentabilidade acompanha a taxa básica de juros. Por isso, quando a Selic está elevada, esse investimento tende a oferecer retornos maiores.

É uma alternativa bastante utilizada por quem busca acompanhar os juros da economia e manter o dinheiro em um título de baixa volatilidade em comparação com outros títulos públicos.

CDBs atrelados ao CDI

Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) também podem se beneficiar de juros elevados, principalmente aqueles que oferecem uma rentabilidade atrelada ao CDI.

Como o CDI costuma acompanhar de perto a Selic, um CDB que paga 100% do CDI tende a apresentar uma rentabilidade maior quando os juros sobem.

Existem também aplicações que oferecem percentuais superiores, como 110% ou 115% do CDI. Entretanto, é importante observar as condições de cada título: algumas ofertas com taxas mais atrativas possuem prazo de vencimento definido e não permitem o resgate antecipado.

Poupança

A poupança também possui uma regra de rendimento relacionada à Selic.

Quando a taxa básica de juros está acima de 8,5% ao ano, a remuneração é de 0,5% ao mês, acrescida da Taxa Referencial (TR).

Portanto, em um cenário de Selic a 13,75%, essa é a regra utilizada para calcular seu rendimento.

E os investimentos em renda variável?

A influência da Selic não fica restrita à renda fixa. O mercado de ações e os fundos imobiliários também podem sentir os efeitos das mudanças nos juros.

Ações

Quando a Selic está elevada, a renda fixa pode se tornar mais atrativa, pois oferece retornos maiores em aplicações de menor risco de mercado.

Isso pode reduzir o interesse de parte dos investidores pela bolsa de valores.

Além disso, juros elevados aumentam o custo de empréstimos e financiamentos para as empresas. Dependendo do setor, isso pode dificultar investimentos, expansão dos negócios e crescimento dos lucros.

Por outro lado, quando os juros começam a cair, o cenário pode se tornar mais favorável para determinadas empresas, especialmente aquelas que dependem de crédito ou possuem dívidas elevadas.

Fundos imobiliários (FIIs)

Os fundos imobiliários também são influenciados pelo nível dos juros.

Com a Selic elevada, aplicações de renda fixa passam a oferecer uma concorrência maior para os FIIs. Isso pode reduzir o interesse dos investidores por fundos imobiliários e pressionar suas cotações.

Os fundos de papel, que investem em títulos de crédito imobiliário, podem ter parte de suas receitas vinculadas ao CDI ou à inflação. Por isso, alguns deles podem apresentar resultados diferentes dos fundos de tijolo, que investem diretamente em imóveis.

Já os fundos de tijolo podem sentir os efeitos dos juros elevados por meio do custo de financiamento, da atividade econômica e da avaliação dos imóveis.

É importante lembrar que cada fundo possui características próprias, e a Selic não determina sozinha seu desempenho.

O que acontece quando a Selic cai?

Uma redução da Selic muda a atratividade relativa de diferentes investimentos.

Na renda fixa pós-fixada, aplicações que acompanham o CDI ou a própria Selic tendem a apresentar rendimentos menores à medida que os juros caem.

Por outro lado, títulos prefixados e títulos públicos atrelados à inflação podem se valorizar no mercado antes do vencimento quando as taxas de juros exigidas pelos investidores diminuem. Esse efeito é conhecido como marcação a mercado.

Na renda variável, a queda dos juros pode favorecer ações e fundos imobiliários, já que a renda fixa passa a oferecer retornos menores e o custo do crédito pode diminuir.

Entretanto, isso não significa que a bolsa ou os fundos imobiliários necessariamente subirão. Outros fatores, como inflação, atividade econômica, resultados das empresas e expectativas do mercado, também influenciam os preços.

A Selic alta é boa ou ruim para os investimentos?

Não existe uma resposta única. O efeito depende do tipo de aplicação, das condições econômicas e dos objetivos de cada investidor.

Em períodos de juros elevados, a renda fixa pós-fixada costuma ganhar destaque, enquanto determinados ativos de renda variável podem enfrentar maior pressão.

Quando os juros diminuem, essa relação pode mudar: aplicações pós-fixadas tendem a render menos, enquanto alguns investimentos de renda variável e títulos prefixados podem se beneficiar.

Por isso, acompanhar a Selic ajuda a compreender o cenário econômico, mas não deve ser o único critério para tomar decisões financeiras.

Mais importante do que tentar prever cada movimento dos juros é entender como diferentes investimentos funcionam, conhecer seus riscos e avaliar como cada um se encaixa em uma estratégia de longo prazo.

Afinal, construir patrimônio é uma jornada que envolve conhecimento, planejamento e decisões conscientes.

Este conteúdo tem finalidade educativa e não representa recomendação de investimento.